terça-feira, 10 de agosto de 2010
Você me avisar, me ensinar, falar do que foi pra você...
domingo, 18 de outubro de 2009
Solto.
Tudo ficando menor, tanto q o mundo caberia no copo d’agua q eu tomei pra matar minha sede de vc.
Qualquer vento a minha volta tem de ser fresco depois daqueles instantes remexendo em coisas q só vc sabe onde encontrar. Vi a bagunça q ficou no chão. Vejo o fone de ouvido caído num lugar onde não lembrava ter deixado, o cinzeiro virado aos pés do sofá, meu travesseiro jogado onde não costumo dormir, as roupas espalhadas.
Sinto seus olhos em cima de mim e me sinto bem, quero q vc passeie com eles por quantas vezes quiser pelo meu corpo. Esse caminho é teu.
Vou ficar no chão olhando o teto, e ver o filme q eu quiser nele, posso inventar o final q eu quiser. Mas nunca haverá um.
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Desenhos na folha de areia.
Esfregou as mãos ao chegar à praia.
Estava frio, como as tardes do inicio de primavera costumam ser.
Olhou ao redor da areia, não viu nem ouviu nada a não ser o som das ondas q correram por todo o mar pra descansar na areia.
Partiu
Imaginava ela ali, de mãos dadas às suas, ouvindo mais uma vez o som do mar quebrando, como quisera demonstrar naquele dia do seu aniversario.
Não havia nada q lhe desse maior paz do q aquele instante, podia ver o sol se pondo ao oeste, podia sentir o vento terral acariciando as ondas de frente, podia ainda ouvir o som daquela voz quando fechava os olhos.
Sentou-se na areia perto de algumas gaivotas q corriam de um lado para o outro como se estivessem brincando, e ficou olhando o infinito. Um dia iria tão longe para buscá-la quanto aquele barco q se aproximou do horizonte.
Escreveu mais uma vez aquele nome na areia, riscou desenhos de uma casa, de algumas flores e de um casal sentado na beira do mar.
.
terça-feira, 29 de setembro de 2009
Primeiro e último?
O que teria sido de mim se tivesse sido feliz pra sempre com meu primeiro amor?
O q seria de mim sem os sofrimentos acumulados ao longo da vida, sem as frustrações q aprendi a colecionar, quando aprendi a colecionar também amores durante a escola, amores pelas vizinhas, amores pelas meninas q mantinham o sorriso no rosto pq era parte de seu oficio, não pq queriam dar isso a mim. Eu sempre me apaixonava muito fácil, viajava nos olhares desencontrados q eram trocados dentro dos ônibus, nas lojas, nas ruas. Platônico sempre foi meu segundo nome.
Meu primeiro amor seria meu único amor, minha única fonte de inspiração, meu único enredo para histórias q me cercariam durante toda a vida, a minha única referencia do q é amar ou sofrer, a única dona das minhas noites sozinho, arrependido no quarto, ou ainda esperando pelo arrependimento dela, a única a receber minhas ligações e sms pela madrugada, a sentir meu hálito de vinho no seu pescoço, na sua boca, na sua pele.
Seria minha única experiência, e meu mundo se resumiria a ela, e a lutar pelo seu coração todos os dias da minha vida.
Talvez eu até pudesse ser feliz desse jeito, acumularia menos sofrimento, menos frustrações diferentes, mas também, poucas possibilidades de conhecer todas as faces do meu coração.
Talvez tenha sido melhor mesmo eu ter a deixado brincando sozinha naquele parque da escolinha, deixando q toda a experiência dos meus sete anos de idade me permitissem esquecer de tudo na primeira hora que pegasse no sono, exceto daquela vontade incontrolável de segurar na mão dela e ficar sem entender nada...
sábado, 19 de setembro de 2009
Prometo.
ele. diz:
vamos ser aqueles casais q as pessoas quando vêem um sozinho , têm q perguntar do outro, pq ficou impossivel desassociar
*eu vou escrever teu nome na casca de uma arvore
*e vou assoprar no vidro do metrô pra escrever tambem
*eu vou cantar uma musica pra vc, sem vc estar perto pra ver
*eu vou correr pra casa, só pra ficar menos tempo longe de vc
*e vou te buscar no trabalho
*vou te levar um sonho no trabalho
ela diz:
*jura?
ele. diz:
*vc vai reclamar de mim, pq vai achar q quero te deixar gorda
*eu vou rir e vou te beijar
*e vou morder um pedaço do teu sonho
*juro
*vou escrever coisas q só eu entendo
ela diz:
*te amo muito mesmo
ele. diz:
*vou passar a madrugada inteira acordando de hora em hora, preocupado em levantar primeiro pra te levar o café na cama
eladiz:
*tenho certeza que meus problemas do dia a dia seriam menores se eu chegasse em casa e tivesse vc lá
ele diz:
*e vou buscar o jornal, e vou ouvir seus comentarios sobre economia
*vou ver um anuncio de propaganda e perguntar o q vc acha
*pq sua opinião é importante
*eu te amo demais
*vc é meu copo de leite quente nessa noite fria
*hahaha
*q brega isso
*haha
*sem vc fica impossivel, sem vc eu não posso nem ser eu mesmo...
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
A Paciencia é amarga, mas seus frutos são doces.

As vezes a ansiedade bate forte e vc se pergunta: Será q só eu vou ficar sozinho?
Enquanto os amigos aproveitam suas noites ao lado de alguem com quem nem pensam trocar a cia, vc está sentado no seu sofá, bebendo um copo de vinho e ouvindo alguma musica nostalgica, q toca em pontos fortes de sua carencia.
Querer estar com alguem tem de ser algo especial. Acho mesmo q tem de vir depois de alguma espera, por mais torturosa q seja a tal espera. Pois assim, sua espera terá mais sabor ao ver que a pessoa que vc aguardava lhe fez perceber o quanto valeu a pena esperar.
Talvez isso doa um pouco, talvez sua impaciencia e ansiedade se misturem e gritem na sua cabeça, e o coração vez ou outra doa, mas vc sabe que no fundo, no fundo, pode valer a pena. E vai valer. Por mais utópico que seja, sempre haverá alguem á sua espera - como vc tanto tem esperado. Pode ser a pessoa que vc nem imagina q é, mas q ronda seu dia a dia, pode ser alguem q vc nem sonha q exista, mas tenho certeza que como vc, ela vem sonhando a mesma coisa, te imaginando, sem saber ao certo como vc é.
Ou ainda melhor q tudo isso,se vc for uma pessoa de sorte, pode ser alguem q vc sabe q existe, e q tambem sabe da sua existencia, estando os dois apenas esperando o melhor momento de extinguir qualquer distancia.
Não se censure de sonhar, junte os pedacinhos de algodão que surgem na sua vontade, e sopre-os para o vento, despejando nele um pouquinho do seu perfume, e deseje q este algodão caia em frente a quem está parada na porta, sempre a lhe esperar.
=)
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
sábado, 15 de agosto de 2009
La Banlieue

Eu nunca fui bom em entender muito. Se algo me preocupa, eu logo olho pro lado procurando os olhos de alguém que me responda.
Desde que vc chegou, eu nunca entendi muito, e em todas as vezes q eu olhava pro lado procurando os olhos respondedores, nenhum era capaz de me fazer entender o q eu queria. Porque tudo o q eu eu queria entender estava nos olhos q eu não podia ver com os olhos.
Sô.
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Pijama.

O céu mudou de cor pq vc deixou.
Visitaram meu quintal as flores cor de rosa q caíam do céu ,q eu havia desenhado pra vc.
Seus presentes nas minhas mãos, tinham o perfume doce q desejo encontrar na origem.
Visitarei ainda esse teu céu ocupado com uma maria fumaça flutuante. Na chaminé dela sairá este perfume teu, o barulho dos seus trilhos será embalado pelo seu sotaque doce.
Serei viajante na tua vontade , embalado no aconchego do teu colo, ouvirei teu canto feminino distraído e dançaremos juntos envoltos nesse teu manto rosa, leve, q cerca teu corpo, mas me presenteia com essa sua nuca doce á minha espera.
quinta-feira, 30 de julho de 2009
O amor ronda as esquinas da tua alma, não se deixe desavisar.
...Entrou no metrô e percebeu a menina no banco da frente sentada, vestindo uma sandália rosa, e um vestido de estampa.
Mas estava mais preocupado em ir pra casa e descansar, pensar em qual filme iria assistir na noite do sábado, e qual vinho iria comprar para se embriagar sozinho.
Não notou o sorriso nos lábios entreabertos da garota, q ia aproveitar a vida em mais uma festa com os amigos. E mesmo, se tivesse parado pra olhar a garota por duas ou três estações, não iria notar o seu sorriso. Não era de seu agrado naquela hora , o sorriso de um sábado festivo.
Era uma escolha egoísta e sem graça.
Tinha a ambição de querer afundar em seu sofá, com amendoins japoneses espalhados por seu tapete, pelos chinelos alinhados á porta, pela boca q ecoava o sono quarto a dentro. Não queria senão repetir a mesma sensação desprovida de emoção escolhida para si mesmo.
O Inverno lhe afetava. E gostava disso.
Pensava q em determinados momentos encontrava melhor a si mesmo quando estava sozinho. Não tinha os problemas com as diferenças regadas pela sua ex namorada. Não tinha as preocupações q lhe enquadravam no ambiente familiar de seu ninho inicial.
Tinha saltado em voo, era dono de si mesmo.
Podia fazer as escolhas.
E aquela paz superficial e vazia era a sua escolha.
Sua cabeça navegava á vontade dos mares.
Sonhou com algo q lembrava um bordado pequeno em formato de flor, que se encaixava como um broche.
Aquilo tinha relação com algo que vira, não lembrava exatamente o quê.
Tomava o metrô todos os dias, e por sorte, certo dia viu e reconheceu a garota. Percebeu-lhe agora o broche de rosa de tamanho real, e a cor vermelho sangue nos cabelos, percebeu q tambem os olhos dela procuravam os seus. Tomou em si a convicção de conhecê-la, saber seu nome, intrometer-se na vida alheia. Mas era demasiadamente tímido pra estas situações.
Ensaiou uma abordagem simples, indireta. Era o máximo q sua insegurança poderia lhe proporcionar.
Veio a ideia de q ela poderia não lhe dirigir a palavra, mudar de banco, ou ainda ensaiar um escândalo no fundo do vagão.
Isso lhe excitou. Estava cansado de um dia desgastante, quando saiu do trabalho já depois das onze da noite, discutir com um colega, e ouvir as lamentações numa ligação de sua mãe.
Sentiu q precisava se desvencilhar um pouco da vida q o havia tomado. Pensar no vazio de sua casa lhe deixou enjoado.
Pensou q talvez sair e beber com os amigos fosse uma boa ideia, mas àquela hora seria difícil marcar algo.
Olhou um casal fazendo sexo atrás da escada rolante na estação Paraíso. Isso lhe deu inveja. Sabia q enquanto sua vida se resumia ao trabalho sem graça, aos amigos distantes, ao sofá desbotado de sua casa, as pessoas podiam ser felizes fazendo sexo nas estações de metrô.
Olhou para a garota novamente, desejou se aproximar. Aproveitou a deixa na estação Liberdade. Um casal de japoneses idosos entrou no vagão, ele ofereceu-lhes o lugar. Ficou em pé á frente da garota, a bolsa dela ocupava parte do banco ao seu lado. Ela percebeu o estranho em pé á sua frente, e ofereceu-lhe o banco.
Tudo certo.
Conseguiu.
Conheceu ela. Linda. Solteira. Feliz.
Admirou sua insegurança, suas frases com intervalos, desconexas.
Há tempos já não se importava em se aventurar com uma garota desconhecida, e suas ultimas experiências não lhe proporcionavam nostalgia.
A conversa informal se desenrolou. Percebeu q sua estação estava próxima. Trocaram telefones.
Chegou em casa, e antes de tirar a roupa para ir tomar banho , o telefone tocou.
_Alô - disse a voz doce
_Oi, q bom q ligou...
Conversaram por horas. Descobriu q ela vinha de uma cidade pequena no interior de Minas. Descobriu em suas palavras uma simplicidade colorida até então desconhecida no seu universo cinza, um sotaque cantado com canções leves e risadas tímidas.
Ela perguntou o q fazia aos fins de semana. Ele disse a verdade.
Ela riu.
_ O Mundo é um Sanatório, ofereça-lhe suas loucuras!
Ele aceitou.
Encontram-se finalmente no parque da Juventude. Conversaram sobre tudo, musica, família, descobriram q gostavam dos mesmos filmes, discordaram sobre o Hards Day Night, concordaram sobre o Sgt. Peppers - sim, é sensacional.
Ele percebeu q perto dela não tinha a necessidade de filtrar suas palavras, percebeu q se sentia tão a vontade como raras vezes aconteceu. Percebeu a mesma coisa no comportamento dela. O quanto se sentia a vontade também.
Mas não se beijaram. Ela queria cumplicidade, ele desejava descobrir cada vez mais.Ela queria ser cuidada, ele desejava toma-la sobre seus cuidados. Suas vontades se somavam.
Finalmente depois de alguns encontros conversaram sobre sexo. Ela era virgem, mas conversava a vontade sobre a situação. Era uma escolha q fizera. Não sabia dizer o pq, mas era a sua escolha.
Não encontrara muitos homens q despertaram nela a libido instintiva. Mas por suas palavras mostrou-se abertas a novas possibilidades. Ele entendeu.
Finalmente beijaram-se na despedida.
Ele ficou sonhando isso pela semana inteira.
Sua vida tomara um rumo inesperado, levava a um caminho novo, pelas curvas de uma estrada nova.
Percebeu então, q na verdade quando dormia no seu sofá desbotado e macilento, sonhava com aquele broche bordado de flor ao seu lado, e sentindo o perfume leve sobre aquela nuca de pele macia. Sabia q enquanto ficou perdido nos finais de semana sem graça q escolheu, na verdade estava esperando sozinho numa rodoviária vazia, por uma passageira q vinha em um onibus q se atrasou por tempo indeterminado. Mas que finalmente havia chego.
Entendeu q ás vezes para apressar a chegada de alguém, é necessário também apressar seus próprios passos.
(...)
Escrevi numa tarde chuvosa q não tinha nada pra fazer. Não terminei, pq simplismente não consigo terminar. Mas me deixa bem, ver q o personagem até o momento está se sentindo bem, e volta a sonhar.
=)
domingo, 12 de julho de 2009
terça-feira, 7 de julho de 2009
Dorrmir feliz aperrtando o nariz.

Dei uma voltada naquele post rapidinho, onde o Chaplin ta dormindo, e o qual eu disse esses dias (na verdade revelei ) q havia escrito numa circunstancia muito especial, e isso me trouxe um retorno maravilhoso, algo q talvez só encontrasse - como Chaplin na foto, sonhando.
Enfim, to enrolando tanto pq na verdade eu to bem eufórico, e queria descrever isso um pouco haha. E agora, por volta das 21:00 hs, eu tive o melhor motivo do mundo pra escrever sobre algo. O melhor motivo do mundo.
No fim de tarde fui á praia pra dar uma lida no livro mais recente q comprei. Prometi pra mim mesmo q iria começar e terminar ele na praia.
Na volta, passei na locadora e peguei o filme q desde o fim do ano passado to querendo assistir - Um Estranho no Ninho. Cheguei em casa e depois de tomar um banho fui pro sofá, deixei o celular no bolso, e liguei o aparelho. O filme é sensacional, na linguagem marketeira é de qualidade percebida Boa, ou seja, superou minhas expectativas iniciais, e não é pra menos, as pessoas q me indicaram ele nunca erraram em uma indicação de filme ou musica. Obrigado Su, obrigado Filé.
Mas, em meio a esse tempo algo q iria me deixar extasiamente feliz acontecia, ou pelo menos a tentativa de. Alguém, um pouco distante, com voz doce e suave, corpo cansado de um dia na labuta diária e com o sotaque mais doce do mundo pegava no gancho de um telefone pra discar os oito números correspondentes ao numero do meu celular. Por descuido, eu como disse ha pouco, deixei meu telefone no bolso, e este não conseguia captar nenhum pontinho mínimo de sinal da operadora. Ah, se eu soubesse...Poderia ter deixado o filme de lado e esperar durante o dia todo por tais segundos preciosos. Mas não aconteceu, e eu sem saber acabei deixando passar a oportunidade.
Vim pro quarto na batalha com minha conexão de Internet, na tentativa de entrar no msn e ver se encontrava por la alguém q fizera minha noite de sábado ainda em seu inicio a mais doce possível, só por dizer q iria dorrmir, isso mesmo, dorrmir. Haha (ri pra vc , e não de vc ).
Consegui me conectar e la estava , e la fomos nós pra dura luta com meu msn, na tentativa de um mínimo de conversa, algo q tem me feito tanta falta. Não consegui. Morri de ódio.
Fiquei parado atrás da porta do meu quarto fitando a tela do meu computador, e fumando um cigarro imaginário. Quando de repente aconteceu.
Strokes cantando Last Nite escandalosamente no meu celular e revelando um numero desconhecido ,mas q soube na hora de onde vinha:
_Haha, ce é doida me ligar meo
_Hahaha
_(Pensando comigo, como é bom ter a certeza desse sorriso! )...
E daí pra frente, um pouco de timidez, um pouco de entusiasmo, e a vontade de ficar em silencio e pedir pra ela cantar todas as musicas que ela gosta dos Beatles e talvez saiba de cór, só pra ter oportunidade de ficar ali parado, ouvindo aquela voz...
Escrevi tudo isso só pra te agradecer mesmo. Geralmente eu evito ser o máximo direto nas coisas q escrevo, pq gosto quando cada um toma algo pra si, e ultimamente eu venho descobrindo q este blog ta sendo lido por pessoas bacanas, e to muito feliz por isso.
Te disse q desde quando vc apareceu a primeira vez em Outubro de 2008, a única coisa q eu consigo fazer é falar sem parar. Haha, graças a vc ( ou por culpa sua ) esse meu entusiasmo virou esse texto todo.
Obrigado meu anjo.
=)
quinta-feira, 11 de junho de 2009
Mais um do Marcelo Rubens Paiva.

Atordoado.Foi como ele ficou, porque ela saiu da sala de embarque e o cumprimentou com um beijo no rosto. 6 anos. Beijo no rosto? Que afronta. Que falta de cuidado. Que bandeira. Não comentaram o assunto. Mas o olhar dela não procurou o carro, e sim o olhar dele. Portanto, é logico que ela ta,bém se surpreendeu com o gesto abusadamente burocrático. Há uma semana viajando. O maridinho de 6 anos a busca no aeroporto. De surpresa. Instala-se na calçada. O carro em frente, como risco de ser multado. E como ela agradece? Com um beijo no rosto, seco e inaudível.
Caminharam para o carro rsumindo as prioridades: "Não esqueceu de nada?" "Pagou o IPVA atrasado?" Tem bateria no seu celular?" "Ligou para o seu pai no aniversário dele?"
Desceram a Avenida 23 em silêncio. Há três meses, eles mal se encostavam. Ela sempre dormia antes. Desde quando se conheceram há 6 anos, ela dormia antes do dia seguinte. Ultimamente, ele entrava no quarto, e ela dormia de costas, com a cabeça longe.
No começo do namoro, iam para a cama com uma regularidade qe irritava os amigos, quando as comparações eram trazidas à mesa. Nas viagens para a casa alugada na praia com amigos, causava admiração constatar que os novos namorados não saíam do quarto. Nem para o pôquer com feijão.
Claro que com o casamento a frequência caiu. às vezes, uma sema sem trepar. Cíclico: havia semanas que dormiam em camas separadas, férias que ficavam colados como um cometa e a cauda. Então, as estatísticas atolarm num pânico perigoso : duas vezes por mês; uma vez por mês. A quantidade refete a qualidade de um casamento? Qual éo ideal, se é qie existe?
Quando os encontros passaram para a média de uma vez por mês, o alarme tocou. Não conversaram sobre isso. Ela era a mesma linda sedutora de ante. Daquelas que envelhecem com metamorfismo: sai a casca juvenil, e se liberta a mulher perfeita. Ele até emagreceu, depois de muito esforço, e começar a nadar junto com ela. Por que não transavam mais, se eram os mesmo que se apaixonaram no primeiro encontro? Porqe não eram mais os mesmos.
Só na Avenida Brasil, voltou a falar. Ele perguntou como foi a viagem. Demorou tudo isso, porque temia a resposta. Se ela dissesse "foi ótima", estava esclarecido o beijo no rosto; foi muito melhor do que ficar com você, naquela nossa rotina abafada, na nossa casa em que nem trepamos mais, até encontrei um pescador meio índio que me virou literalmente do avesso. Mas ela não respondeu e acendeu um cigarro, olhou através da janela. Ele se irritou. A sua indiferença ante o tornado de pensamentos e ódio e medo e indecisões que se formava assustava. E pois ela fumava.
Para irritá-lo. Ele parara de fumar seguindo um pacto de ela o seguir, mas ela, que fumava só eventualmente, e não como ele, viciado compulsivo, não cumpriu o combinado. De raiva, ele ligou o rádio na estação de rock e aumentou no punk do Ramones, que dançou tanto na adolescência: We Are Happy Family. E cantou:
"We're a happy family, me mom and daddy, siting here in Queens, eating refried beans..."
"Abaixa um pouco", ela pediu.
"Por quê?"
"Abaixa..." ela adocicou a voz.
Obedeceu. Sempre a obedecia, quando ela implorava docemente, Ela deve estar pensando no nativo deitado sobre ela, percando por ela, subindo em coqueiros para trazer um coco fresco, cabulando os seminários que sua empresa organizou, dançando lambada, enquanto o otário aqui...Na Avenida 9 de Julho, ele resolveu jogar duro:
"Não vai falar como foi a viagem?"
"Cansativa. Desculpe. Estou exausta."
Ele esperava qualquer resposta. Menos cansativa. Cansativo é ficar neste inferno de cidade do caos. Nonguém se cansa num resort numa ilha baiana, a anão ser que se envolva com um nativo e se canse de tanto sexo, sexo que não pratica em casa.
"Você sabe há quantos meses não transamos?" ele perguntou.
Ela assoprou a fumaça no rosto dele, jogou a bituca pela janela e comentou ligeiramente impaciente:
"Que romântico...Você ez as contas, é?"
"Fiz. Sabe?"
"Três."
"Três meses? E isso é muito ou pouco?"
"Muito."
"Você quer parar num hotel agora? Tem um monte por auqi no Jardins."
"A questão não é essa."
"E qual é?"
"Por que não 'transamos' mais como antigamente?"
"Não sei. Por quê?"
Devolver a pergunta foi a resposta mais eficaz. Isso mesmo, por quê? Afinal, não era só dela a culpa, se é que a culpa seja a conduta a ser empregada.
"Por que casais param de trepar?", ele perguntou.
"Não sei. Por quê?"
"Tesão acaba."
"Acaba?"
"Acabou?"
"Não. Sei lá. Acho que não. Acabou?"
O carro parou no congestionameno. Ele pegou um cigarro da bolsa dela. Acendeu no acendedor do carro. E disse, sereno: "Acho que o casamento acabou. E o tesão foi consequência. Tudo o que tinha de bom ficou no passado, Por isso, a gente não transa mais. O presente é só 'quem paga o IPVA', 'ligou para o seu pai?'. Rotina,"
"Você quer se separar?"
Ele tragou e a imitou, devolvendo a pergunta:
"Você quer?"
"Porque a gente não 'mete' mais."
"Não é um bom motivo?"
"É. Que chato. Acabar um casamento pot causa de sexo."
"Da falta de", ele corrigiu.
"Sem sexo não dá, né?"
"É um sintoma. O primeiro que aparece. De que as coisas não andam tão bem."
"E se as coisas não andam bem, é melhor parar."
"É. Acho que é. Não sei. É?"
Embicou na garagem. Oportão se abriu. Entrou com o caro em marcha lenta, até encontrar uma vaga no final, no canto da lâmpada queimada há dias.
"Não pediu pra trocarem esta lâmpada?", ela comentou.
Ele desligou o carro. Olhou para ela. Escorria uma lágrima do rosto dela. Ele a abraçou. Beijaram-se. Ela desatou o cinto e se sentou no colo dele.
Logo, ele inclinará o encosto do banco para trás.
Texto de Marcelo Rubens Paiva, retirado do seu blog no Estadão.
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Tamanho único.

Se entristece e fica imaginando aquele par de tenis perfeito, com a numeração exata e que mora na tua cabeça.
Então, vc desiste e se levanta pra sair da loja, mas acaba vendo um ali meio distante, mas que é exatamente como vc queria. A vendedora te adverte dizendo que alguns ja passaram por ali, mas aquele par nunca serve muito bem a alguem, por isso deixaram meio longe. Vc o experimenta, e nota q ele lhe serve macio e se encaixa perfeitamente, no tamanho exato.É a unica a lhe dar essa sensação.
A vendedora sorri, e comenta: Acho q ele estava esperando por vc.
E vc responde: Não, eu é quem ha muito estava procurando por ela."
Eu confundi o texto.
Numeração perfeita.
segunda-feira, 25 de maio de 2009
quarta-feira, 20 de maio de 2009
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
Combinado

Se eu quisesse combinar tanto com alguém , eu não conseguiria.
Se ela quisesse combinar tanto comigo, não saberia.
Se quisessemos nos combinar não ia dar. Já sabíamos que a nossa jequice estaria combinada antes e descombinaria qualquer combinação anterior.
Combinamos mesmo descombinando o que não foi combinado.
Estamos combinados que combinamos sem combinar.
Tinta
terça-feira, 23 de dezembro de 2008
A mulher Ideal
A mulher ideal sempre esteve muito clara na mente de Carlos.Ao longo dos anos, essa mulher sofreu algumas modificações, ou aperfeiçoamentos como ele prefere dizer, mas nunca fugiu de sua origem.
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