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terça-feira, 18 de maio de 2010

Lucidez.


Estive tanto tempo confuso, que, quando a oportunidade veio, peguei carona sem querer.

Nunca estou neste estado. Lucidez é talvez a minha tentativa de estar em silêncio na areia da praia, olhando e ouvindo o mar. Mas é inconstante. Inconstante demais. Nem por isso menos repetitivo e bom.
Quase todas as desatenções que tenho durante o dia, são coisas que me interessam muito. Saber como é ao certo o rosto de alguém que diz não possuir um, saber como é a voz de alguém que manda flores de longe, perceber qual a opinião de alguém que não sabe, mas, sempre foi decisivo nas minhas decisões.

Hoje mal pude cantar outra música que não fosse Malcuidado. Eu até sei, nem tem muita gente q gosta tanto assim, mas isso é o q me faz gostar mais ainda. É como o seu presente que tenho aqui, muita gente não gosta tanto assim, mas o fato de saber que vc gosta dele, me faz gostar mais ainda. É disso que eu tô falando...

Eu disse, peguei carona ali. Sentado na terceira fileira do fretado, peguei carona no corredor que me separava dela. Quando percebi, não estava mais pegando carona no ônibus, mas sim, ao lado dela. A viagem se resumia a isso, em aproveita-la desta maneira. Em aproveitar mais a mim mesmo desta maneira. Já faz algum tempo isso, e hoje podemos nos dar ao luxo de pegar carona somente um no outro.

Quanto à lucidez, não sei se é isso q me bate agora, quando fico pensando se gosto mais das de listras azuis ou vermelhas com aquela bermuda, talvez devesse esperar sua opinião, mas vc viria rindo e certamente dizendo de longe: Ta loco! Eu quero é vc sem camisa. Ta bom. E me vejo rindo das minhas costelinhas aparecendo no espelho enquanto vc me abraça.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

O amor não acaba - Marcelo Rubens Paiva


O amor acaba? O cara disse. Numa esquina, num domingo, depois do teatro e do silêncio, na insônia, nas sorveterias, no elevador, como se lhe faltasse energia. Tenho dúvidas. Ele não volta? Não deixa rastro? Não renasce? Volta.



Na esquina em que se beijaram uma vez, lá está ele, na sombra perdida pela luz, na poeira suspensa, na revolta da memória inconformada. Uma lembrança. Na solidão do domingo, lá vem ele, volta, com lamento, um quase desespero, e penso nos planos perdidos, que vida sem sentido... No teatro, no palco de história de amor, no cinema, na tela com beijos e risos, na TV, que inveja... Já tive um amor igual.


Onde ele se escondeu? E, pior, por que? Na insônia o amor cai como uma tonelada de lápide, e se eu tivesse feito diferente, se eu tivesse sido paciente, e se eu tivesse insistido, suportado, indicado, transformado, reagido, escutado, abraçado? Seu choro, no meu ombro, foi tão recusado. Na sorveteria, ele volta, o amor em lembrança. Porque aquele sabor era o preferido dela, aquela cobertura era a preferida dela, aquela sorveteria era a preferida dela, assim como aquela esquina, aquele bairro, aquele clima, aquela lua, aquele mês, aquela temperatura, aquela raça de cachorro atravessando a rua, aquele programa de fim de tarde e aquele horário sem planos para noite. Ela adora ficar na cidade no feriado, torce para barreiras e pontes caírem, e ninguém voltar nunca mais. Uma cidade só pra ela, um bairro, aquela rua, a sorveteria. Aquele cachorro brincando com ela. E eu só pra ela. No elevador, quantas saudades daqueles segundos de silêncio, presos na caixa blindada, vigiados por câmeras camufladas, loucos para se agarrar e, rirem, apertarem todos os botões, tirarem a roupa, escreverem ao lado do Atrasado: "Eu te amo". Saudades é amor. Não se tem saudades do que não se ama. Ou amou.


O amor não acaba, porque eu tenho saudades, me lembro dela todos os dias, me preocupo com ela, torço por ela, e se sonho com ela, meu dia está feito. O amor não pode acabar, porque sem ela ou sem a esperança de revê-la, até a chance de tê-la de volta, minha guerra não tem fim. Ela é uma trégua na minha guerra pessoal contra minha paixão por ela. Amá-la me faz bem. Mesmo que ela não me ame. Amo amá-la. Continuei amando desde o dia em que terminou. Passei meses amando como se não tivesse acabado. Ficaria anos amando mesmo se não tivesse voltado.


O amor não acaba, muda. O amor não será, é. O amor está. Foi. Nas tantas músicas que ouvimos juntos, que dançamos colados, trilhas das noites frias em que você sentava em mim nua, enquanto meus braços imobilizavam os seus. Amor. O não-amor é vazio. O antiamor também é amor. Nas minhas mãos frias aquecidas pelas suas. Eu te amava quando você respirava no meu ouvido. Amo-te, amo-te, amo-te. Suor naquele instante secreto, quando sua boca incha, seus olhos apertam, suas unhas me arranham e você diz, com tanta verdade: Eu te amo!


O amor acabou quando você se foi? Fala a verdade... Vocês sentiu saudades das minhas paredes, das cores das minhas camisas, da umidade da minha boca, do cheirinho do meu travesseiro, da minha torrada com mel, do meu endereço, das tantas noites pelados assistindo á televisão, dos vinhos entornados no lençol e pelo chão, de café da manhã com jornal, do lanche improvisado, você sentiu falta de atravessar a avenida comigo de mãos dadas, de correr da chuva, de eu te indicar aquele livro, do cinema gelado em que vimos aquele filme sem fim, torcendo para acabar logo e ficarmos a sós, você sentiu falta da minha risada, da minha inconveniência, da minha mancha, de eu ser seu amante, seu noivo, seu amigo e marido, dos meus olhos te espiando, dos meus dentes te mordendo e mastigando, ficou tanto tempo longe de mim e pensou em nós todas as madrugadas, especialmente bêbada e louca, queria me ligar, me escrever, meu cheiro aparecia de repente, meu vulto estava sempre ali presente, acaba? Diz que acaba.


Como acaba? Não acaba. Repete. Falei. Não acaba. Pode virar amor não correspondido. Pode ser amor com ódio, paixão com amor. Pode vir em muitas embalagens e tamanhos. Só tenho uma certeza. Tem o amor e o nada. Ah, mais uma coisa. Antes que eu me esqueça. O amor não acaba. Vira. Sorry. Se acabar, não é amor."

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Que o acaso é amigo.



A aula hoje acabou mais cedo. Só era preciso fazer uma rápida atividade e entregar, e Carlos se esforçou para fazer isso o mais rápido possível.

Sabia que seu primeiro ônibus sairia ao meio dia, e o próximo somente às 13 hs. Concentrou-se tanto, q esqueceu de olhar as horas no relógio, e quando entregou o trabalho era exatamente 12:05. Perdera o ônibus por cinco minutos, e não havia outra escolha senão esperar o próximo. Na verdade estava até acostumado a esperar no ponto, suas aulas que geralmente terminavam meio dia e meio, lhe davam um tempo de espera de vinte e cinco minutos, já que o ponto de ônibus ficava à cinco minutos dali. Tudo muito sistemático e sem graça.


Desceu as escadas devagar, e saiu na rua. Viu como sempre a construção do alto prédio q já se acostumara a ver na frente da faculdade, ficou olhando os blocos ainda crus e amontoados, sem saber como poderiam ter tido tantas forças para erguer tijolo por tijolo...

Ora - pensou ele -, todas as coisas são construídas devagar, a vantagem do prédio é ter muitas mãos à disposição... Enquanto a minha vida é construída apenas por minhas duas mãos...

Indiretamente este pensamento de Carlos o fez lembrar de o quanto estava se sentindo só ultimamente. Tinha bons amigos na faculdade, tinha amigos divertidos no bairro de casa, mas nenhum poderia suprir a falta que sentia de uma companhia feminina. Vez ou outra passava por mulheres interessantes na faculdade, e ensaiava um olhar discreto, mas no qual pudessem percebê-lo. Nunca obteve sucesso com isso. Seus amigos já eram mais escrachados nos comentários, mas sabia q seu ponto de vista era de longe muito diferente.


Havia chegado no ponto de ônibus ao meio-dia e dez, e sabia q aqueles cinqüenta minutos iriam parecer demorar muito mais tempo que isto.

Olhou mais uma vez por puro costume em direção ao sentido em q o ônibus viria, mas sabendo que faltava ainda muito. Sem querer acabou reparando numa garota que também estava no ponto de ônibus, de cabelos curtos e loiros, pele clara, jeans desbotado e camisa listrada, estava sentada em uma corrente de plástico que servia como proteção a uma escola, e se balançava como criança, olhando pro chão sem o mínimo receio de a corrente se quebrar, e levar um vexatório tombo.

Aquilo lhe pareceu tão infantil e interessante q passou a discretamente olhar a menina. Nascia ali mais uma paixão platônica de Carlos, como já acontecera em outras ocasiões, com garotas que ele nunca havia visto.

Sabia q era impossível chegar e falar qualquer coisa com a garota, mas ainda assim, ficava fantasiando o nome dela.

_Acho q Maria não combina muito... Talvez Ana, ou Elisa...

Usou novamente o habito de olhar a rua, e notou q vinha um ônibus municipal. A garota viu e apressadamente levantou-se e lançou as mãos em sinal q o motorista parasse. Carlos ficou olhando a garota subir para o ônibus e parar em frente ao motorista por um tempo até q o ônibus saísse, e seguisse destino por dez metros, até Carlos ver a garota descer do ônibus.

Vinha andando de volta ao ponto de ônibus com olhar cabisbaixo, e aquilo fez com que ele sentisse compaixão, preocupado talvez de a garota estar sem o dinheiro da passagem. Ele tinha alguns trocados ainda no bolso, isso fez com que tomasse uma atitude que normalmente não tinha coragem de tomar.


_Oi, desculpa perguntar, mas... ta tudo bem?

Ela levantou a cabeça, procurando novamente pelo transito.

_Ah... é q eu moro aqui há pouco tempo, e ainda tomo ônibus errado... - comentou a garota com voz disfarçando segurança.

_Não se preocupa, você se acostuma rápido. - sorriu ele.

_Pois é... Tomara!

Meio dia e vinte e oito; um minuto no silencio dos dois, e ele já havia olhado pra ela pelo menos cinco vezes.

_Você vai pra onde?

Carlos se assustou, ela estava puxando assunto.

_Ah eu moro meio longe, to esperando meu fretado.

_Onde?

_Em Itanhaem.

_Conheço Itanhaem!

Os avós dela moravam no Cibratel, e ela gostava de ir alguns finais de semana subir o morro e ver o por do sol. Carlos tentou lembrar se já não havia visto ela por lá, já que sempre fazia a mesma coisa.

_Prazer, Carlos.

_Oi Carlos, prazer, Bia.


O papo se desenrolou rápido, e ambos viram que tinham muito em comum, estudavam Comunicação Social, ele Publicidade numa particular, ela Jornalismo na Unifesp, gostavam de Mombojó, e até mesmo se identificavam com Joel Barish.

Tudo muito perfeito. Platonicamente.

Carlos se preocupava agora com a rapidez do tempo. Faltavam dez minutos pro seu ônibus, e o tempo passou a voar. Ela não parava de desenrolar assuntos do interesse dele.

Perguntou se ela sempre pegava o ônibus por ali, ela respondeu que sim, mas que excepcionalmente hoje estava naquele horário, pois sempre passava um período maior na faculdade.

Ela já nem olhava pra rua procurando o seu ônibus, parecia querer ficar ali até que Carlos partisse, pois já havia perguntado se o ônibus dele já estava por vir...

Carlos percebeu que nem havia se importado em reparar nas curvas da menina - na verdade não conseguia tirar os olhos dos olhos dela.

Perguntou a ela quando ela iria novamente pra Itanhaem, ela disse q iria apressar uma ida. Ele sorriu.


Parecia improvável demais que aquilo estivesse acontecendo. Mas estava. Estava com uma garota no qual sabia qual musica ouvir junto, ter assunto acadêmico em comum, e ainda, saber onde poderia encontrá-la. Finalmente ele estava se sentindo à vontade com uma garota, mais que à vontade e não sabia explicar. Trocaram telefones.


O Ônibus prateado dele já despontava na avenida, ele viu, e ela prontamente percebeu a ida...

Carlos se aproximou e beijou-lhe o rosto sem tirar os olhos um só segundo dos olhos dela, disse q seria bom falar com ela novamente. Ela concordou.

Ouviu a buzina apressada do motorista, e o tempo pareceu voltar ao lugar...

O tempo parecia ter parado naqueles olhos esverdeados...

Ele sentou e ficou olhando ela até onde a partida permitiu. Ela retribuiu.


Existe sempre uma diferença entre destino e oportunidade, ele sabia disso, mas sabia também q certas coisas não são necessárias explicar.

É preciso deixar o tempo fazer as honras.

sábado, 19 de setembro de 2009

Prometo.



ele. diz:

vamos ser aqueles casais q as pessoas quando vêem um sozinho , têm q perguntar do outro, pq ficou impossivel desassociar

*eu vou escrever teu nome na casca de uma arvore

*e vou assoprar no vidro do metrô pra escrever tambem

*eu vou cantar uma musica pra vc, sem vc estar perto pra ver

*eu vou correr pra casa, só pra ficar menos tempo longe de vc

*e vou te buscar no trabalho

*vou te levar um sonho no trabalho

ela diz:

*jura?

ele. diz:

*vc vai reclamar de mim, pq vai achar q quero te deixar gorda

*eu vou rir e vou te beijar

*e vou morder um pedaço do teu sonho

*juro

*vou escrever coisas q só eu entendo

ela diz:

*te amo muito mesmo

ele. diz:

*vou passar a madrugada inteira acordando de hora em hora, preocupado em levantar primeiro pra te levar o café na cama

eladiz:

*tenho certeza que meus problemas do dia a dia seriam menores se eu chegasse em casa e tivesse vc lá

ele diz:

*e vou buscar o jornal, e vou ouvir seus comentarios sobre economia

*vou ver um anuncio de propaganda e perguntar o q vc acha

*pq sua opinião é importante

*eu te amo demais

*vc é meu copo de leite quente nessa noite fria

*hahaha

*q brega isso

*haha

*sem vc fica impossivel, sem vc eu não posso nem ser eu mesmo...

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Pijama.




O céu mudou de cor pq vc deixou.
Visitaram meu quintal as flores cor de rosa q caíam do céu ,q eu havia desenhado pra vc.
Seus presentes nas minhas mãos, tinham o perfume doce q desejo encontrar na origem.
Visitarei ainda esse teu céu ocupado com uma maria fumaça flutuante. Na chaminé dela sairá este perfume teu, o barulho dos seus trilhos será embalado pelo seu sotaque doce.
Serei viajante na tua vontade , embalado no aconchego do teu colo, ouvirei teu canto feminino distraído e dançaremos juntos envoltos nesse teu manto rosa, leve, q cerca teu corpo, mas me presenteia com essa sua nuca doce á minha espera.



Prometo.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

O amor ronda as esquinas da tua alma, não se deixe desavisar.



...Entrou no metrô e percebeu a menina no banco da frente sentada, vestindo uma sandália rosa, e um vestido de estampa.
Mas estava mais preocupado em ir pra casa e descansar, pensar em qual filme iria assistir na noite do sábado, e qual vinho iria comprar para se embriagar sozinho.
Não notou o sorriso nos lábios entreabertos da garota, q ia aproveitar a vida em mais uma festa com os amigos. E mesmo, se tivesse parado pra olhar a garota por duas ou três estações, não iria notar o seu sorriso.
Não era de seu agrado naquela hora , o sorriso de um sábado festivo.

Era uma escolha egoísta e sem graça.
Tinha a ambição de querer afundar em seu sofá, com amendoins japoneses espalhados por seu tapete, pelos chinelos alinhados á porta, pela boca q ecoava o sono quarto a dentro. Não queria senão repetir a mesma sensação desprovida de emoção escolhida para si mesmo.
O Inverno lhe afetava. E gostava disso.
Pensava q em determinados momentos encontrava melhor a si mesmo quando estava sozinho. Não tinha os problemas com as diferenças regadas pela sua ex namorada. Não tinha as preocupações q lhe enquadravam no ambiente familiar de seu ninho inicial.
Tinha saltado em voo, era dono de si mesmo.
Podia fazer as escolhas.
E aquela paz superficial e vazia era a sua escolha.
Sua cabeça navegava á vontade dos mares.


Sonhou com algo q lembrava um bordado pequeno em formato de flor, que se encaixava como um broche.
Aquilo tinha relação com algo que vira, não lembrava exatamente o quê.


Tomava o metrô todos os dias, e por sorte, certo dia viu e reconheceu a garota. Percebeu-lhe agora o broche de rosa de tamanho real, e a cor vermelho sangue nos cabelos, percebeu q tambem os olhos dela procuravam os seus. Tomou em si a convicção de conhecê-la, saber seu nome, intrometer-se na vida alheia. Mas era demasiadamente tímido pra estas situações.
Ensaiou uma abordagem simples, indireta. Era o máximo q sua insegurança poderia lhe proporcionar.
Veio a ideia de q ela poderia não lhe dirigir a palavra, mudar de banco, ou ainda ensaiar um escândalo no fundo do vagão.
Isso lhe excitou. Estava cansado de um dia desgastante, quando saiu do trabalho já depois das onze da noite, discutir com um colega, e ouvir as lamentações numa ligação de sua mãe.
Sentiu q precisava se desvencilhar um pouco da vida q o havia tomado. Pensar no vazio de sua casa lhe deixou enjoado.
Pensou q talvez sair e beber com os amigos fosse uma boa ideia, mas àquela hora seria difícil marcar algo.
Olhou um casal fazendo sexo atrás da escada rolante na estação Paraíso. Isso lhe deu inveja. Sabia q enquanto sua vida se resumia ao trabalho sem graça, aos amigos distantes, ao sofá desbotado de sua casa, as pessoas podiam ser felizes fazendo sexo nas estações de metrô.
Olhou para a garota novamente, desejou se aproximar. Aproveitou a deixa na estação Liberdade. Um casal de japoneses idosos entrou no vagão, ele ofereceu-lhes o lugar. Ficou em pé á frente da garota, a bolsa dela ocupava parte do banco ao seu lado. Ela percebeu o estranho em pé á sua frente, e ofereceu-lhe o banco.
Tudo certo.
Conseguiu.
Conheceu ela. Linda. Solteira. Feliz.
Admirou sua insegurança, suas frases com intervalos, desconexas.


Há tempos já não se importava em se aventurar com uma garota desconhecida, e suas ultimas experiências não lhe proporcionavam nostalgia.
A conversa informal se desenrolou. Percebeu q sua estação estava próxima. Trocaram telefones.
Chegou em casa, e antes de tirar a roupa para ir tomar banho , o telefone tocou.
_Alô - disse a voz doce
_Oi, q bom q ligou...


Conversaram por horas. Descobriu q ela vinha de uma cidade pequena no interior de Minas. Descobriu em suas palavras uma simplicidade colorida até então desconhecida no seu universo cinza, um sotaque cantado com canções leves e risadas tímidas.
Ela perguntou o q fazia aos fins de semana. Ele disse a verdade.
Ela riu.
_ O Mundo é um Sanatório, ofereça-lhe suas loucuras!
Ele aceitou.


Encontram-se finalmente no parque da Juventude. Conversaram sobre tudo, musica, família, descobriram q gostavam dos mesmos filmes, discordaram sobre o Hards Day Night, concordaram sobre o Sgt. Peppers - sim, é sensacional.
Ele percebeu q perto dela não tinha a necessidade de filtrar suas palavras, percebeu q se sentia tão a vontade como raras vezes aconteceu. Percebeu a mesma coisa no comportamento dela. O quanto se sentia a vontade também.
Mas não se beijaram. Ela queria cumplicidade, ele desejava descobrir cada vez mais.Ela queria ser cuidada, ele desejava toma-la sobre seus cuidados. Suas vontades se somavam.
Finalmente depois de alguns encontros conversaram sobre sexo. Ela era virgem, mas conversava a vontade sobre a situação. Era uma escolha q fizera. Não sabia dizer o pq, mas era a sua escolha.
Não encontrara muitos homens q despertaram nela a libido instintiva. Mas por suas palavras mostrou-se abertas a novas possibilidades. Ele entendeu.
Finalmente beijaram-se na despedida.
Ele ficou sonhando isso pela semana inteira.
Sua vida tomara um rumo inesperado, levava a um caminho novo, pelas curvas de uma estrada nova.


Percebeu então, q na verdade quando dormia no seu sofá desbotado e macilento, sonhava com aquele broche bordado de flor ao seu lado, e sentindo o perfume leve sobre aquela nuca de pele macia. Sabia q enquanto ficou perdido nos finais de semana sem graça q escolheu, na verdade estava esperando sozinho numa rodoviária vazia, por uma passageira q vinha em um onibus q se atrasou por tempo indeterminado. Mas que finalmente havia chego.

Entendeu q ás vezes para apressar a chegada de alguém, é necessário também apressar seus próprios passos.

(...)





Escrevi numa tarde chuvosa q não tinha nada pra fazer. Não terminei, pq simplismente não consigo terminar. Mas me deixa bem, ver q o personagem até o momento está se sentindo bem, e volta a sonhar.
=)

domingo, 12 de julho de 2009



"Eu sei que está rolando muita coisa em torno de uma coisa só, mas estou me referindo a outras. Porque na minha mente cabem muitas coisas."


Muito bom.


Tomei a liberdade. Desculpe.


Prefiro os Raros.



Gente virtuosa demais me desagrada.
Prefiro os imperfeitos.
Gosto daqueles que lutam pra não enlouquecer.
Preciso daqueles que têm medo, e ainda que de pernas bambas, seguem.
Sonho com aqueles que trazem a esperança por um fio.
Aqueles que não sabem rezar.
Aqueles que se perderam de si próprios.
Apaixono-me por aquela gente que traz um olhar perdido, como quem se prepara para dar adeus.
Gosto de gente que erra tanto, que consegue ousar sem neura.
Preciso de gente que ama e odeia; porque de indiferentes o mundo já está cheio.
Vibro com gente que não aceita desrespeito.
Anseio por gente que vai pras ruas, que toma tapa na cara e não dá a outra face.
Gente que num dia desiste e no outro tem fé.
Amo gente que ama sem se importar com o gênero.
Gente que salva desconhecidos.
Pessoa singular, irrepetível e indescritível..